No último dia de oficina de Os Brasis em São Paulo nós nos sentamos em roda para uma conversa sobre o que tinha sido a residência: foram 5 finais de semana ao longo de 6 meses de um tempo que está em suspenso.

Um outro número me emociona e me ensina que neste espaço que pede replantio e passos firmes e cuidadosos, fazer contas não é mais contar. 25 pessoas colocaram suas mãos a fazer render outras nossas histórias num endereço que pede rotas de resistência: eu não sei quantos fios se entrelaçaram. O resultado é renovador para quem vem de Sertão: a abundância das pessoas sempre faz algo bonito brotar em qualquer aridez inventada. 
Ouvir os depoimentos naquela roda foi tangibilizar em voz o que eu já sentia na pele. Quando iniciei esse movimento, muito se deslocou em cada um de nós. Eu também tentei dançar entre placas tectônicas que deslizavam em busca de amparo dentro de mim, de cada um de nós e ao nosso redor. Sabia que após o vento inicial só tinha a trazer quietude ou concretude. Um a um vocês trouxeram o que era necessário e nunca estivemos sozinhos.

Se disparei o convite que qualquer um de nós poderia ter escrito para o hoje, percebam que precisamos de tudo que carregamos dentro, do que veio antes, do que sonhamos ser. 
Fiz silêncio naquela roda, como nas casas dos mestres, para tentar aprender: é muito generoso confiar uma verdade e um tempo, ainda mais um tempo que precisamos reconstruir.

Carlão e Nega e Pedro e Graça, 
Carol e Luísa e Michel e Amandas e Fernandas e Hanayrá e Rafael e Suann e Xavier, 
Carolê e Carolina e Gleice e Joana e Marina e Raquel e Rodrigo e Thaisa, 
Roni e Zito, 
Gabi e Camila,

Obrigada pela coragem e pela vontade de beleza. Muito obrigada pela confiança. 
Continuem acreditando em vocês.

Mayra Fonseca em São Paulo, 22 de novembro de 2016.
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